Ensaio sobre a identidade docente

identidadePara desenvolvimento deste ensaio foi escolhido o filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, lançado em 1989. A história se passa em uma escola tradicional de segundo grau, que aplica um ensino rígido como na academia militar e adota uma concepção didática conservadora. Este fato pode ser observado logo nas primeiras cenas com a palestra para os estudantes, na qual o diretor fala sobre os quatro pilares da escola: tradição, honra, disciplina e excelência. Ele ainda enfatiza que a escola recebe os filhos de pessoas economicamente bem-sucedidas e que almejam que seus descendentes sigam os mesmos passos que os pais, cujas profissões são médicos, engenheiros, advogados.

O filme relata a história de um professor chamado Keating que possui métodos de aprendizagem diferenciados da escola onde ele irá trabalhar, no qual foi ex-aluno. Ele adota um estilo divergente da escola tradicional, levando os alunos a uma nova forma de ver as coisas. Podemos analisar o posicionamento deste professor a partir dos apontamentos de Faria et al. (2008 p.56), que afirma que ‘a educação tem importante papel na formação humana, na constituição de um homem crítico e autônomo’. Reforçando essa argumentação podemos nos reportar à parte do filme no qual o professor, solicita a leitura da introdução do livro: “Entendendo a Poesia”. O texto diz que a poesia pode ser estudada e avaliada a partir de um gráfico matemático. Keating pede que os alunos arranquem as primeiras páginas do livro. Diz ele: “Poesia é para ser vivida e não calculada”. Ou sejam, buscava que os alunos não pensem como são mandados, mas que pensem por si mesmos, como dito por ele “Quando lêem, não considerem apenas o que o autor acha… Considerem o que vocês acham…”

Faz, assim, uma crítica à educação tradicional, onde o aprendizado acontece de forma mecânica: O professor fala, o aluno ouve. O discente não inclui suas experiências do dia-a-dia no processo de aprendizagem. Analisando o comportamento do professor sob a ótica do texto de Gonçalves (2005), podemos perceber que Keating faz uso dos saberes didático-pedagógicos; de intervenção social; e saberes relacionais, rompendo, assim, com o tradicional e mostrando um novo ideal pedagógico no qual a relação entre professor e aluno deve ter uma vivência democrática e interativa de forma espontânea, permitindo ao aluno poder extrair o melhor de si. Keating adotava uma postura pedagógica diferenciada, mais afetiva, mais flexível, entretanto, isso não foi suficiente para mudar a postura da instituição, considerando que ele foi demitido.

 

FARIAS, Isabel Maria Sabino et al. Identidade e fazer docente: aprendendo a ser e estar na profissão. In. Didática e docência: aprendendo a profissão. Fortaleza: Líber livro, 2008.

PINTO, M. G. C. S. A docência na educação superior – saberes e identidades. In: Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, 28-4, 2005, Caxambu/MG. Anais eletrônicos da Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação: 40 anos de Pós-Graduação em Educação no Brasil: produção do conhecimento, poderes e práticas. Caxambu/MG: ANPEd, 2005. Disponível em <http://www.anped.org.br/reunioes/28/inicio.htm&gt;

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Carta aos professores

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Esta é uma reflexão inspirada no texto de Paulo Freire e outros autores que abordam o processo de formação e construção do perfil docente. Esta não foi construída para ser direcionada aos meus atuais ou ex-professores, bem como também não está direcionada aos colegas de profissão que encontrei pelo caminho. Mas, acaba levando em consideração todas as interações, boas ou ruis, no âmbito ensino-aprendizagem.

Eu acredito que toda profissão, por ser uma escolha, deve ser exercida como tal, com responsabilidade. A construção profissional não é algo imutável, ou que possa ser adquirido rapidamente, como uma roupagem, mas é um processo de construção dos saberes: o saber específico, o saber-fazer e de saber-ser. Do qual não podem ser descolados das múltiplas experiências de vida, tanto pessoal, quanto profissional.

Ser professor é ser corresponsável pela concretização do processo de aprendizagem. É um trabalho que requer que estejamos nos refazendo, e reinventando, a partir das leituras, abordagens, métodos em sala. É uma opção de quem aceita viver no ciclo infinito de troca e geração de conhecimento sobre uma determinada área. Assim, penso que quando se faz o que se gosta o trabalho cansa, mas não nos esgota… finalizo esta breve reflexão com um poema sobre a atuação docente.

 

Professorar[1],

Ser professor
é uma paixão,
…uma doação:
do que somos,
do que temos,
do que sonhamos…

Professorar
é uma missão,
exige dedicação
doação
envolvimento e carinho…

Criatividade para ser um pouco de tudo:
Artista, ombro amigo, conselheiro… educador,
Ou o que precisar,
na difícil tarefa de cultivar mentes abertas e independentes.

É crescer,
Aprender,
E ser parte do crescimento do outro.

Tarefa árdua,
Requer persistência,
Contraditória de tão recompensadora…
Mesmo que o pé esteja doendo,
Mesmo que a voz já esteja falhando.
O calor escaldante,
Ou o frio cortante,
O cansaço,
As noites insone,
A fome,
O sono,
Quase tudo se esquece quando se está ensinando.

Professorando sigo,
sonhando, compartilhando, influindo, dividindo, trocando, mudando…
Buscando fazer bom uso do que chegou para nós
convivência, aprendizado, possibilidades, perspectivas…
experiência, em cada grupo, única.
professorar, é singular.

 

[1] Fernanda Matos